sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North




Sinopse

Ouçam-me. Lembrem-se de mim… 

O meu nome é Hope Arden, sou a rapariga de quem ninguém se lembra. Primeiro esquecem o meu rosto, depois a minha voz e, por fim, as consequências dos meus atos. Desapareço da memória sem deixar rasto.

Começou quando tinha 16 anos, um momento de cada vez. O meu pai esqueceu-se de me levar à escola, um professor esqueceu-se que eu era sua aluna, a minha mãe colocou mesa para três, em vez de quatro. Um amigo olhou para mim e só viu uma estranha.

Por mais que eu tente, por mais pessoas que magoe ou crimes que cometa, nunca se lembram de mim. E isso torna-me única… e particularmente perigosa.

Esta é a história de Hope Arden, a rapariga que todos esqueceram. Uma saga de amor, esperança, desespero e ânsia de viver o momento e deixar uma marca na vida.

Opinião:

Inicialmente foi uma leitura que estranhei, mas que com o decorrer das páginas acabou por me entusiasmar, pois apresenta uma personagem muito bem desenvolvida e que é o centro da narrativa, um enredo rico e complexo e uma escrita cativante e que se destaca pela qualidade e criatividade.

Um livro que nos faz pensar, dada as reflexões que nos são apresentadas pela protagonista sobre a sociedade e a sua adaptação à mesma, que nos apresenta uma leitura fluída, repleta de ação e nunca sendo demasiado descritivo.

A ação decorre em diferentes locais onde se nota que a escritora fez uma pesquisa elaborada para nos apresentar um pouco da "história cultural" desses locais, enriquecendo ainda mais o enredo, do Dubai a Istambul, de Hong Kong a São Paulo, passando por Veneza e terminando na Escócia.

Claro que a nível de personagens há outras que nos cativam e que são mais valia para o enredo acabando por ter um papel determinante, o livro não vive apenas de Hope Arden.

Um livro que é sem duvida uma mais valia, temos vários géneros literários aqui incluídos mas que funcionam muito bem, acima de tudo um thriller policial, recomendo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Antes de Sermos Vossos de Lisa Wingate - Divulgação



A Saída de Emergência publicou um livro que se mantém no TOP  dos mais vendidos no New York Times há várias semanas. Antes de Sermos Vossos de Lisa Wingate  é baseado num dos mais conhecidos escândalos da América — em que uma instituição de adoção vendeu crianças a famílias ricas.

Sinopse:

Inspirado em factos verídicos, esta é a história de duas famílias e da terrível injustiça que as mudou para sempre.

Nascida num mundo de riqueza e privilégio, Avery Stafford tem tudo. Filha adorada de um senador americano, com a sua própria carreira como advogada e um noivo maravilhoso à espera em Baltimore, ela vive uma vida encantada. Mas quando regressa a casa para ajudar o pai com um problema de saúde, um encontro casual com May Crandall, uma idosa desconhecida, deixa Avery profundamente abalada. Ao decidir descobrir mais sobre a vida de May irá embarcar numa viagem pela história oculta de crianças roubadas e adoções ilegais. E cedo irá desvendar um segredo que pode levar à devastação... ou à redenção. Este romance comovente e fascinante recorda-nos como, apesar de os caminhos que tomamos levarem a muitos lugares, o coração nunca esquece onde pertencemos.

A Autora:

Lisa Wingate é uma antiga jornalista, oradora inspirada e autora de mais de vinte romances campeões de vendas. As suas obras ganharam ou foram nomeadas para numerosos prémios, incluindo o Pat Conroy Southern Book Prize, o Oklahoma Book Award, o Carol Award, o Christy Award e o RT Reviewers’ Choice Award. Wingate vive nas Montanhas Ouichita do sudoeste do Arkansas.
 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Ursula K. Le Guin


Morreu na passada segunda-feira Ursula K. Le Guin. A noticia só foi conhecida ontem à noite e confesso que quando li a noticia a minha primeira reacção foi a de total descrença, não quis acreditar, mas era verdade e lentamente o sentimento de perda foi-se enraizando. O momento que precedeu o meu conhecimento desta triste noticia foi passado a ler o último volume da Banda Desenhada Sandman intitulada "A Vigília" da autoria de Neil Gaiman (mais um confesso admirador da autora e alguém que foi profundamente influenciado por ela). Coincidência ou ironia da vida não o saberei dizer, mas a verdade é que dei por mim a traçar alguns paralelos entre a história que estava a ler e a Ursula K. Le Guin. Tal como a personagem principal do livro também Ursula K. Le Guin é mais que uma "mera" deusa, ela é e irá ser uma Eterna, junto de nomes como Philipk K. Dick ou Ray Bradbury para sempre irá brilhar acima de bons e excelente autores que felizmente ainda pontuam o nosso horizonte literário.

Mas ela foi mais que uma mera escritora, foi também um voz da razão, um voz do sonho e do futuro. Foi alguém que nos avisou dos tempos negros que se avizinham se nada fizermos.

Todas as vidas que ela tocou (e irá tocar) de modo tão profundo tornaram-se melhores por se terem cruzado com ela e a sua obra literária e tornaram o mundo um local um pouco melhor.

Tudo o que se possa dizer sobre ela será sempre pouco e o melhor que todos podemos fazer é simplesmente ler os seus livros pois esse é a melhor maneira de a manter viva.

Deixo para o final o discurso que proferiu quando ganhou o National Book Awards Lifetime Achievement Award de 2014  (prémio de carreira). Um discurso cheio de avisos, mas também de esperança e coragem. 



Podem ver legendado em Português do Brasil neste link: Discurso de Ursula K. Le Guin no National Book Awards. Podem também ver o video original neste link: Ursula k. Le Guin National Book Awards Lifetime Achievement Award 2014 ou em alternativa a versão longa em que Neil Gaiman apresenta o premio: Neil Gaiman presents lifetime achievement award to Ursula K. Le Guin at 2014 National Book Awards.


sábado, 6 de janeiro de 2018

Os Portões da Casa dos Mortos - Steven Erikson

 



Sinopse

No Império Malazano, as lendas estão prestes a nascer...


O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha’ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.


Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos.



Opinião:


Este é a primeira parte do segundo volume (versão original) da saga O Império Malazano e sem duvida do melhor que tenho conhecido a nível de fantasia, mais um volume onde a qualidade está toda lá, quer a nível de escrita, de enredo e claro personagens.

Não quero estar a desenvolver muito, pois nota-se claramente que o livro ainda está por encerrar, mas para se perceber a complexidade deste enredo, basta ver que poucas são as personagens que entraram no primeiro volume (versão original) e muitos foram os locais novos apresentados. Um enredo muito complexo, rico e que acabamos por nos ir habituando com o decorrer dos livros.

As personagens têm todas um enorme potencial e acabamos por ficar sempre na curiosidade de sabermos mais, são complexas, com carisma, talvez faltando um pouco mais de aprofundamento para que nos cativem ainda mais, mas sendo tantas torna-se difícil, mas recordo-me que no primeiro volume foram várias as que fiquei admirador e com vontade de saber mais, ainda assim gostei imenso de Felisin Paran por tudo o que passou até ao momento, o que não quer dizer que não hajam outras cativantes.

Quanto à escrita cativa e acima de tudo ficamos admiradores de Steven Erikson por criar um universo tão rico e complexo e que acredito ainda irá ser muito desenvolvido.

Do melhor que a fantasia tem e uma mais valia para o catálogo da Coleção BANG!, mais que recomendado.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Claire North venceu o prémio WFA


É com muito orgulho que a Saída de Emergência comunica que A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North acabou de ganhar o World Fantasy Award para melhor romance!



O talento de Claire North é reconhecido e aclamado mundialmente. A capacidade de criar mundos ficcionais distintos reflete-se nos diferentes géneros literários das suas obras. Em 2004 e 2006, Claire North foi nomeada para o prestigiado Carnegie Medal, que reconhece anualmente um livro infantil excecional, por Timekeepers e The Extraordinary and Unusual Adventures of Horatio Lyle, respetivamente. O livro As Primeiras Quinze Vidas de Harry August foi nomeado para o BSFA Award para Melhor Romance (2014) e para o Arthur C. Clarke Award para Melhor Romance de Ficção Científica (2015) e ganhou o John Campbell Memorial Award para Melhor Romance de Ficção Científica de 2015.


A autora vai estar presente na Comic-Con 2017, que se realiza nos dias 15, 16 e 17 dezembro.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Festival Bang!




O Festival Bang! está a chegar, é já este sábado dia 28 de outubro, no pavilhão Carlos Lopes.
Para além da presença Anne Bishop autora de sagas como Os Outros ou As Joias Negras, temos o prazer de anunciar a presença dos Moonspell.


Os Moonspell vão revelar, pela primeira vez, alguns dos detalhes da biografia da banda, escrita por Ricardo Amorim e a ser publicada pelas edições Saída de Emergência em 2018.
Este momento único inclui ainda a leitura de alguns excertos da biografia, em exclusivo e ainda antes do lançamento da obra, no final desta sessão teremos a oportunidade de assistir a um show case da banda.

Vê em anexo o programa do Festival Bang!. Contamos contigo!



Para saberem mais informações podem consultar aqui

Não vou poder marcar presença mas sem duvida que é uma grande iniciativa por parte da Editora e ainda por cima convida uma escritora que muito gosto, que seja um sucesso.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Opinião - Mulheres Perigosas (Antologia)



Quando cheguei da Feira do Porto carregado de livros, em larga maioria da Saída de Emergência, um desses livros era esta Antologia: "Mulheres Perigosas". Ao conversar com o meu bom amigo Paulo "Fiacha o Corvo Negro" Dores descobrimos que tínhamos este livro para ler. Portanto decidimos fazer uma espécie de leitura conjunta. O Paulo já deu a sua opinião e agora é a minha vez. Como poderão ler a seguir a minha opinião não difere muito da do Paulo, mas existe uma diferença toca a ler para descobrirem.


Mulheres Perigosas é mais uma antologia de contos organizados por George R. R. Martin, que também contribui com um conto, e Gardner Dozois na esteira de outras antologias já editadas pela editora Saída de Emergência. A premissa, tal como vem descrito na contra-capa é a de que neste livro vamos encontrar "mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatales astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam" por oposição ao estereótipo das "mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão". O problema é que esta promessa não é cumprida na totalidade e alguns contos chegam mesmo a mostrar "mulheres infelizes e a choramingar".

A antologia começa muito bem com o conto de Joe Abercrombie "Completamente Perdida" com uma mulher verdadeiramente perigosa como o titulo promete. A primeira senhora desta antologia é Mega Abbott com "Ou o Meu Coração Destroçado" num interessante policial de uma mãe a quem a filha desaparece, onde vemos um mulher perigosa é verdade, mas de uma maneira muito diferente do primeiro conto. Melinda M. Snodgrass é a senhora que se segue com "As Mãos Que Não Estão Lá" e também o primeiro conto de Ficção Científica. Carrie Vaughn faz com que regressemos novamente à Terra com "Raisa Stepanova" em que nos mostra as mulheres soviéticas que durante a Segunda Grande Guerra pilotaram aviões (caças) ao lado dos homens num história que nos mostra acima de tudo que a História está pejada de grandes mulheres.

Eis que chegamos ao conto que "estraga" tudo: "Eu Sei Escolhê-las a Dedo" de Lawrence Block (que ironicamente também parece ter sido escolhido a dedo). O autor até pode ser um grande escritor e o conto está bem escrito, mas este conto está completamente "fora de água" e o que faz nesta antologia é um mistério.

Como para nos fazer esquecer o erro de "casting" anterior os antologistas dão-nos Brandon Sanderson com o conto "Sombras para Silêncio nas Florestas do Inferno". Confesso que não tinha este autor em grande consideração, mas este conto fez ver que posso estar (muito) enganado e este conto é um realmente muito bom, em todos os aspectos, seja na narrativa ou história.

Segue-se mais uma conto baseado na Historia, neste caso da Rainha Constança de Hauteville, com  "Uma Rainha no Exílio" de Sharon Kay Penman. 

Lev Grossman dá-nos "A Rapariga no Espelho" um conto com travo ao Universo de Harry Potter, mas que foi um gosto ler.

Sam Sykes tenta "Dar Nome à Fera" num conto que mostra que ser mão é mais do que parir.

Caroline Spector e "As Mentiras Que a Minha Mãe Me Contou" foram uma surpresa porque não estava à espera de encontrar nas paginas desta antologia um conto passado num outro Universo que o Martin também ajudou a criar: Wild Cards. Apesar de não estar publicado entre nós (espero que um dia isso venha a acontecer) já o conhecia este Universo por alto e tinha alguma curiosidade em saber mais sobre ele e este conto foi uma agradável maneira de começar.

E claro que ficou para o fim o ansiado e muito aguardado conto do George R. R. Martin intitulado "A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes". Admito que apesar de gostar de conhecer sempre mais do Mundo que é Westeros este conto ficou um pouco aquém das minhas expectativas, não pelas informação revelado, mas pela maneira como o Martin escreveu o conto, que parece ter sido escrito por um meister, faltando-lhe algum "sal". Não está mau e tenho a certeza que satisfará os muitos leitores e fãs do Martin. Existe um outro ponto a rever em futuras reedições a existirem: o tradutor (e por inerência da revisora) traduziu o nome de um dos Sete deuses de Westeros mal, em vez de termos o Estranho temos o Forasteiro. Um erro de palmatoria por vários motivos e facilmente evitável.




Esta foi uma boa antologia com contos acima da media sem que exista um que eu possa afirmar que seja mau. Existem histórias para todos os gostos e em vários géneros . O único ponto negativo é alguns contos se afastarem do que o titulo promete, em especial  "Eu Sei Escolhê-las a Dedo" de Lawrence Block.

Resta esperar que segunda parte desta antologia chegue depressa.


Título - Mulheres Perigosas
Autores - Joe Abercrombie, Mega Abbott, Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Lawrence Block, Brandon Sanderson, Sharon Kay Penman, Lev Grossman, Sam Sykes, Caroline Spector, George R. R. Martin
Colecção - Bang! n.º 272
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Rui Azeredo